Jornal da Manhã - 06.01.2011 - Jovem Pan AM
Investidor externo aposta forte na indústria
Publicado em: 01/08/2012 Gerar um RSS desta página para um leitor de notícias e feeds
O câmbio, que barateou a compra de ativos no Brasil, e o mercado consumidor ainda robusto atraíram o interesse dos empresários estrangeiros por aquisições no Brasil, principalmente no setor industrial. Apesar da queda na produção e do baixo otimismo doméstico, o ingresso de investimentos estrangeiros diretos para aquisições de participação no capital de empresas do setor industrial somou US$ 12,9 bilhões no primeiro semestre deste ano, um aumento de 33% em relação aos primeiros seis meses de 2011, segundo informações divulgadas pelo Banco Central.

Os dados mostram que esses investimentos foram para diferentes setores, mas estão concentrados em segmentos bastante relacionados com a demanda doméstica. Depois da metalurgia, os ramos alimentício e farmacêutico foram os que mais receberam aportes no período, indicando que o acirrado debate sobre o esgotamento da capacidade de consumo dos brasileiros ainda não é uma preocupação central para as multinacionais.

Especialistas avaliam que, apesar do momento ruim enfrentado pela indústria, que deve ter desempenho negativo no ano, para empresas estrangeiras que precisam lidar com perspectivas de recuperação muito moderada do consumo no longo prazo, uma escolha natural é procurar aumentar a exposição ao mercado interno brasileiro, ainda um ativo importante. No Brasil, o curto prazo é de baixo crescimento, mas essa não é a estimativa para o futuro.

"O mercado interno é cada vez mais o chamariz", afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet), Luís Afonso Lima. Para ele, as matrizes da multinacionais europeias e americanas, regiões que mais investem no país, enxergam o mercado doméstico do país como um ativo estratégico e buscam oportunidades nesses setores.

Para André Biancareli, professor da Unicamp, o investidor estrangeiro está menos pessimista com o mercado doméstico nacional do que o empresário brasileiro e por isso investe em setores que podem se beneficiar desse quadro. "Montar um fábrica ou adquirir participações em empresas nacionais são decisões que dependem de um cenário de médio e longo prazo, e nesse caso a perspectiva é de crescimento ainda razoável da economia doméstica", avaliação baseada na expectativa de aumento da renda e manutenção do baixo nível de desemprego.
Fonte: Valor Econômico – Brasil – 01/08/2012 – Pág. A5 Enviar para um amigo CompartilharImprimir